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#Até o PT sabe

O morador da periferia quer ser livre

O morador da periferia quer ser livre

Nesta semana, um partido político concluiu uma pesquisa nas periferias de São Paulo. O resultado foi bem interessante. De acordo com as entrevistas, os moradores destas comunidades:

1) Não seguem tanto a lógica do espectro direita x esquerda;

2) Têm um entendimento de que patrão e empregado precisam um do outro, fugindo do discurso da luta de classes;

3) Entendem que o inimigo é o Estado - sim, os entrevistados relatam que o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, capital e trabalho, mas entre o Estado e os cidadãos, entre a sociedade e seus governantes. 

4) Não são afeitos a coletivismos e querem ter a sua singularidade e valores reconhecidos dentro da competitividade do mercado;

5) Têm grande desejo de ascender financeiramente e vêem o combo trabalho + esforço como a melhor maneira de chegar a esse objetivo; 

6) Acreditam em si mesmos e buscam superar obstáculos. Embora saibam que as oportunidades não são as mesmas para todos, apresentam discurso consistente de que não existem barreiras intransponíveis e, com esforço, tudo é superado;

7) Entendem que o dinheiro é escasso e, portanto, é preciso traçar prioridades. 

Esse estudo, de conclusões tão alinhadas com nossas próprias proposições, não é nosso. Ele foi feito pela Fundação Perseu Abramo, o instituto de políticas públicas do... Partido dos Trabalhadores! Não acredita? Olha a pesquisa completa aqui:https://goo.gl/YwXdjX 

Imaginamos que, com lágrimas nos olhos, seus velhos coronéis devem ter lido as conclusões da pesquisa: 

“A máxima 'Deus ajuda quem cedo madruga, quem se esforça mais' parece fazer sentido. (...) Há pouca valorização do público, tanto que quando podem acessar, querem colocar o filho na escola particular e pagar convênio médico. A política pública, em alguns casos, pode ser lida como desvalorização individual (ex: cotas). Os ideais comunitários e coletivistas praticamente não aparecem nas narrativas e, quando aparecem, restringem-se a dimensão da família, da vizinhança, da igreja. Muitos desejam ser empreendedores, e utilizam como justificativa as idéias de não ter mais patrão, ter mais flexibilidade para gerir o próprio tempo, além da possibilidade de deixar patrimônio e herança para a família”.

Tem mais!

“Trata o mercado como instituição mais crível que o Estado, a esfera privada mais relevante que a pública, e cultiva mais o individualismo”

Parece que o partido político em questão, que sempre se disse defensor dos pobres, descobriu, de repente, que não entendia nada sobre os pobres.