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#desarmamento

E se você pudesse se defender?

E se você pudesse se defender?

Que ninguém aguenta mais o caos instalado na segurança pública brasileira não é novidade. Diante do medo e da violência, uma pergunta ecoa: e se o cidadão honesto pudesse se defender? Esse é um debate complexo e que merece uma reflexão mais profunda do que costumamos ver. Quando a pauta é desarmamento ou direito à defesa individual, os dois lados têm sua razão.

Tem razão o desarmamentista, quando diz que facilitar o acesso às armas pode aumentar o número de acidentes e crimes por impulso. É claro que armas são objetos inanimados e não matam sozinhas, mas facilitar o acesso obviamente também aumenta o risco de mau uso. E mau uso de armas, não raro, termina em morte.

Também tem razão o armamentista quando diz que criminosos evitam atacar quem esteja em condições de contra-atacar. Como qualquer ser humano, bandidos avaliam os riscos dos seus atos antes de decidir praticá-los ou não. Prova disso é que durante a recente greve dos policiais no Espírito Santo, a única loja que permaneceu aberta – e intocada – foi uma que vendia armas. Nos ataques de maníacos que, vira e mexe, acontecem em outros países (especialmente nos Estados Unidos) o local escolhido sempre é uma das chamadas 'gun free zones' (zonas livres de armas), justamente porque dessa forma o assassino tem garantia de que ninguém irá pará-lo rapidamente.

Há ainda outras nuances nessa discussão, como o fato de que potenciais homicidas não vão respeitar o estatuto do desarmamento e, ainda que não consigam comprar uma pistola, são perfeitamente capazes de matar usando uma faca (como ocorreu com um médico que pedalava na Lagoa Rodrigo de Freitas), pedaços de pau (como no famoso caso do casal Richthofen) ou até mesmo um caminhão (como usado recentemente por terroristas na Suécia). Caminhões não matam. Facas não matam. Pedaços de madeira não matam. Armas não matam. Pessoas matam.

Concluindo: armas podem tanto promover quanto dissuadir crimes, e há dados abundantes capazes de comprovar tanto as teses dos armamentistas (armas reduzem as mortes) quanto a dos desarmamentistas (armas aumentam as mortes). O que ainda é raro, infelizmente, são estudos que apontem o resultado líquido dessa equação no Brasil, embora em outros países, estudiosos tenham chegado à conclusão de que ela é próxima de zero. Em outras palavras, não podemos afirmar que desarmar a população, por si só, aumente ou diminua o número de crimes, o que leva a discussão mais pro lado dos valores ideológicos do que para o pragmatismo dos números.

E quando falamos de valores ideológicos, o LIVRES sempre tem um lado: a liberdade. Para nós, a ideia de proibir o acesso a meios de auto-defesa precisaria conter uma justificativa muito clara, embasada em um confronto entre liberdades.

No contexto de violência epidêmica, com mais de 60 mil homicídios por ano, é claro, público e notório que a polícia não tem sido suficiente para a função de proteção das pessoas. Um chamado no 190 pode demorar quase uma hora para ser atendido no Rio de Janeiro, por exemplo, enquanto assassinatos, sequestros e estupros acontecem em poucos minutos (às vezes até em segundos). Não é sempre que dá para ligar para a polícia e esperar.

Os brasileiros já foram às urnas para manifestar sua posição sobre essa questão e o direito à auto defesa armada venceu. Impor o desarmamento à população nesse contexto é um absurdo. Precisamos ser #LIVRES para nos defender.