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Médicos cubanos reclamam de escravidão

Médicos cubanos reclamam de escravidão

Em tempos em que se discute a flexibilização das definições de trabalho escravo no Brasil, pouca gente tem dado atenção a um grupo de pessoas que realmente tem trabalhado num regime muito próximo da escravidão: os médicos cubanos.

Eles foram separados de suas famílias e enviados para o Brasil para trabalhar recebendo menos de 1/3 do salário pago pelo empregador (o governo brasileiro), pois o restante vai direto para os cofres do governo cubano. E aos entusiastas da CLT, é sempre bom lembrar que eles recebem bem menos que os colegas brasileiros (e estrangeiros) que exercem a mesma função, muitas vezes no mesmo posto de saúde e trabalhando a mesma quantidade de horas.

Os cubanos são enviados ao Brasil sozinhos, sem as famílias, para desestimular que abandonem o programa e fiquem no Brasil (em outras palavras, evitar que os escravos fujam e deixem a família pra trás). Pelo programa Mais Médicos, os médicos cubanos que vêm ao país não têm o direito de trazer seus familiares. Eles podem apenas receber visitas esporádicas. Claro que vários profissionais vinham quebrando essa regra, e o governo cubano respondeu cassando o diploma de medicina dos que insistirem em manter seus familiares no Brasil.

Uma matéria publicada no início do mês, pelo jornal norte-americano The New York Times conta que quase 200 médicos cubanos estão contestando o acordo firmado entre Cuba e o Brasil, exigindo ser tratados como contratados independentes, que ganham salários completos, e não agentes do Estado cubano. Eles exigem a libertação do que um juiz chamou de "forma de trabalho escravo".

Milhares de médicos cubanos trabalham no exterior sob esse tipo de contrato, onde países como o Brasil pagam ao governo comunista milhões de dólares todos os anos, tornando os médicos a exportação mais valiosa de Cuba. Exatamente como os escravos que a África exportava num passado não tão distante. E eles só se dão conta dos absurdos a que são submetidos quando saem da ilha e têm contato com outras realidades:

"Quando você sai de Cuba pela primeira vez, você descobre muitas coisas que você não fazia idéia. Chega um momento em que você se cansa de ser um escravo", disse Yaili Jiménez Gutierrez, um dos médicos que apresentaram processo, à publicação norte-americana. Até o momento, são 154 processos de 194 médicos cubanos por causa de diferença no salário e solicitando permanência no Brasil.

Mais do que o visto brasileiro, esses trabalhadores lutam pelo direito de não serem obrigados a voltar para Cuba. E pelo direito de seus familiares saírem de Cuba. Que regime tão maravilhoso é esse, que o governo precisa impedir a saída, e não a entrada de pessoas?

Fontes: Folha de S. Paulo; Congresso em Foco, The New York Times