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#MEIA ENTRADA

Une processa Lollapalooza e descobre que não existe meia entrada de verdade

Une processa Lollapalooza e descobre que não existe meia entrada de verdade

A União Nacional dos Estudantes (UNE) resolveu processar a organização do  Lollapalooza por acreditar que o festival de música estava burlando a lei da meia entrada. Segundo a UNE, o valor dos ingressos teria sido aumentado em 63% para compensar a obrigatoriedade do desconto para estudantes.

Não gostamos de ser mensageiros de más notícias, mas precisamos informar à UNE que não é só o Lollapalooza que faz esse cálculo compensatório na hora de calcular o preço de seus ingressos. Isso faz parte da própria dinâmica de composição de preços e a prática também é adotada por cinemas, teatros, exposições e qualquer outro tipo de evento que precise se sustentar com a venda de ingressos.

Funciona assim: primeiro o produtor calcula os custos totais, com espaço, funcionários, aluguel de som, estrutura, impostos, taxas, etc. Vamos dizer que no evento X, esse custo estimado foi de R$ 100 mil. Isso significa que se a arrecadação com os ingressos for inferior a esse R$ 100 mil, a organização do evento terá prejuízo. Se for igual, ela vai apenas trocar dinheiro. E ninguém quer ter esse trabalhão todo para não ganhar nada, né? Nessas duas hipóteses, o evento simplesmente não aconteceria.

Para que a realização do evento (ou manutenção do cinema, teatro, casa de show...) valha a pena, é necessário que o valor arrecadado com a venda de ingressos supere o valor total dos custos. E se tiver uma lei obrigando a vender parte dos ingressos pela metade do preço? Será que o investidor vai simplesmente abrir mão desse dinheiro? Óbvio que não. O valor cheio será compensado para manter a viabilidade do planejamento financeiro. Na prática, o estudante acaba tendo um pequeno desconto e quem não tem direito ao benefício acaba pagando mais caro para compensar.

A situação fica absurda quando lembramos que, muitas vezes, a lei da meia entrada faz com que universitários filhos de famílias ricas ou adultos estudantes de mestrado e doutorado, com bons rendimentos mensais, são beneficiados em detrimento de alguém mais pobre que teve que parar de estudar no ensino médio porque precisou trabalhar. 

Pois é, UNE... políticas bem intencionadas nem sempre são úteis para melhorar a sociedade. E vale outra dica: processos judiciais não revogam a lógica da economia, mas aumentam ainda mais o custo para a produção do evento. E aí já sabe o que acontece com o preço do ingresso, né?