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#CHE GUEVARA

Porque enaltecer Che Guevara não condiz com a defesa dos direitos humanos?

Porque enaltecer Che Guevara não condiz com a defesa dos direitos humanos?

Os direitos humanos devem ser iguais para todos, independente de sexo, etnia, nacionalidade ou qualquer outra condição. Essa noção surgiu com o filósofo John Locke, que distinguiu vida, liberdade e propriedade como os direitos mais fundamentais para a espécie humana.

Ao longo dos últimos séculos, a ideia foi ficando mais sofisticada e ganhando adeptos de variadas vertentes, mas a essência humanista se manteve atual e pertinente. É verdade que, no meio, também surgiram grupos tentando se apropriar do conceito com muita confusão teórica e prática, o que chegou a causar uma massiva rejeição à própria expressão "direitos humanos".

Mas não é tão difícil identificar quando esse discurso não passa de embuste. Muitos movimentos vangloriam-se por uma história de enfrentamento das injustiças usando a imagem de figuras que cometeram, na prática, graves violações dos direitos humanos.

Na semana passada destacamos essa contradição em nossas inserções na TV aberta. A historiadora Karla Falcão disse em rede nacional: "Quem defende os direitos humanos não veste camisa de Che Guevara".

Alguns interpretaram essa frase como simples anti-esquerdismo. Estão enganados. Para nós, essa frase é uma afirmação da longa luta por liberdade, vida e propriedade. Luta honramos sem perder a coerência.

E por que destacamos Che Guevara como símbolo dessa contradição? Um breve histórico de sua trajetória fala por si só:

- O argentino Ernesto Guevara assassinou e torturou, em parceria com Fidel Castro, sob a justificativa de "combater a ditadura de Fulgêncio Batista". (Ironicamente, assim como muitos defensores da ditadura brasileira, fãs de Che "argumentam" que os assassinatos e torturas seriam compreensíveis para deter um mal maior)

- Após a tomada de poder dos guerrilheiros, Che comandava o Tribunal Revolucionário, que condenava à morte com grande facilidade. Para ele, julgamentos não poderiam demorar. Numa revolução, para condenar alguém ao fuzilamento, dizia ele, as provas eram secundárias;

- Já no governo de Fidel, Guevara foi diretor do Banco Nacional de Cuba durante um período em que escreveu defendendo o "castigo econômico" contra o trabalhador que não compreendesse seu "dever social";

- Comandou o presídio Forte de La Cabanã, onde, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 166 cubanos, inclusive civis, foram submetidos à extração de uma média de 3 litros de sangue para venda e exportação por 50 dólares o litro. Depois, eram executados;

- Em 1964, na ONU, contou sem pudores ao mundo sobre os paredões de fuzilamento, afirmando que continuaria com o massacre "enquanto fosse necessário". Tudo por seus ideais;

Esses breves pontos mostram porque uma pessoa que defende os direitos humanos, a dignidade das pessoas e o respeito ao indivíduo não pode vestir orgulhosamente camisas de Che Guevara.

Para quem defende direitos humanos não pode haver "ideais" maiores que a propriedade, a liberdade e a vida humana.