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#INTERVENCIONISMO

Como o governo atrapalha os hotéis

Como o governo atrapalha os hotéis

Se você usa o Airbnb, deve ter percebido que ele funciona muito bem, mesmo sem nenhuma interferência do governo, não é mesmo? Por isso mesmo, precisamos começar a pensar qual o sentido de que as garras estatais continuem crescendo sobre quem tenta empreender no ramo de hospedagem da maneira convencional: construindo e administrando hotéis.

Para não burlar nenhuma lei, um hotel, pousada ou resort deve obedecer a normativas:
- dos órgãos ambientais
- do corpo de bombeiros
- dos acordos sindicais
- do Ministério do Turismo
- da Vigilância Sanitária
- do Ministério do Trabalho
- do Código de Defesa do Consumidor

Além, disso, ainda é preciso ter uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), composta por funcionários que não podem ser demitidos, e pagar uma carga tributária que varia de 30% a 35%.

Mas aparentemente os políticos ainda estão achando pouco e aprovaram mais uma obrigatoriedade: a partir do primeiro dia de 2018, os hotéis terão que ter 10% de suas acomodações adaptadas para pessoas com deficiência. A ideia inicial certamente pode ser bem intencionada, mas o número foi definido a esmo, sem qualquer estudo prévio.

Segundo Luigi Rotunno, presidente da Associação Brasileira de Resorts, os hóspedes com necessidades especiais não chegam a 3% do total. Além disso, citando as regulamentações internacionais, nos países que possuem alguma regulação a respeito, o percentual varia entre 5% a 7%, com prazos de adequação que se estendem por mais de uma década. Cá entre nós: no caso brasileiro, a partir de janeiro de 2018, será que a pousadinha de dona Maria, numa casa antiga, no centro da cidade, vai conseguir se adaptar?

E tem mais... parlamentares também determinaram que as diárias em hotéis precisam ser de 24 horas. Eles só não explicaram se é para o hóspede que sair fazer ele mesmo a faxina – já que não haverá mais um intervalo para a limpeza - ou se o hóspede que chegar terá que receber o quarto sujo e bagunçado.
“Estamos trabalhando para aprovar um projeto de Lei de 22 horas, para poder ter um IN e OUT com pelo menos 2h de diferença, como já acontece na prática”, conta Rotunno.