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#SOCIEDADE

Somos influenciados o tempo todo, mas nossas escolhas são individuais

Somos influenciados o tempo todo, mas nossas escolhas são individuais

Assumir que nosso comportamento sofre influência do meio em que vivemos e da educação que recebemos é bem diferente de imputar aos outros a culpa pelos nossos atos. Ou de imputar a uma sociedade abstrata a culpa pelos atos de um indivíduo. Não existe cérebro coletivo, ou mentes supra-individuais. Coletivos não pensam. As pessoas que compõem esses coletivos, sim.

Somos influenciados o tempo todo, mas fazemos nossas escolhas. Embora a condição social possa influenciar absurdamente nessa escolha, ainda assim, mesmo com os incentivos errados, sempre temos escolha, somos seres pensantes.

A grande questão passa pelo reconhecimento de que, no fundo, sempre há uma individualidade gerindo (consciente e também inconscientemente) as múltiplas influências sociais que lhe formam. Para o bom funcionamento da sociedade, essa individualidade precisa ser responsabilizada pelas escolhas que faz, mesmo que essas escolhas possuam componentes e motivações que muitas vezes escapam à consciência imediata do indivíduo em questão.

Em outras palavras, se passarmos a perdoar os malfeitos de todos os que tiveram uma vida difícil, essas pessoas teriam um incentivo a menos para não cometer crimes. Da mesma forma, aliás, que políticos e autoridades com foro privilegiado têm um incentivo a menos para não sucumbir à corrupção.

Claro que seria muito melhor se todos, por coerência aos seus próprios valores, respeitassem a vida, a liberdade e a propriedade das outras pessoas. Mas se na vida real não é assim que acontece, é preciso responsabilizar e punir aqueles que causem danos a terceiros. Assim damos o recado que a nossa sociedade não tolera as violações dos direitos naturais.

Por outro lado, ao assumirmos que é normal que os pobres cometam crimes, estaremos nivelando todos os pobres por baixo, quando sabemos que a realidade é que a maioria deles trabalha e se esforça para levar uma vida digna. Ao mesmo tempo, responsabilizar as pessoas pelos seus atos, independente de sua condição social não nos impede de, enquanto sociedade, investir na prevenção a esse tipo de comportamento. Seja por meio da educação, cultura, esporte, ou simplesmente pela certeza de que em nosso país, quem comete crimes não fica impune.

E assim chegamos ao 17º e último compromisso do Livres:

“Nosso comportamento sempre sofrerá influências do contexto social, mas a imputabilidade pessoal nunca deverá ser alienada a grupos ou classes sociais. Do mesmo modo, a esfera de atuação que concerne o indivíduo ou a localidade não deve ser transferida a instâncias superiores”

Conheça os outros aqui: https://goo.gl/ykVPbc