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#CASO GUARARAPES

Quando o governo destrói empregos

Quando o governo destrói empregos

O Ministério Público do Trabalho vem exercitando um método curioso de proteger os trabalhadores: tirando-lhes os empregos. É exatamente isso o que o MPT está fazendo no caso Guararapes, que está levando a maior fábrica de confecção do mundo a deixar o Brasil.

Em julho deste ano, o Grupo Guararapes (do qual faz parte a rede de lojas Ricahuelo) foi multada em R$ 38 milhões por terceirizar suas confecções para pequenas oficinas de costura, localizadas no Sertão nordestino, sendo uma oportunidade de renda onde antes não havia nada. Não é a primeira ofensiva do MPT contra o grupo, que responde levando cada vez mais da sua operação para a China e Paraguai.

De acordo com a denúncia, os funcionários dessas oficinas têm “menos direitos” e recebem salário menor que a média dos funcionários efetivos da Guararapes, que por sua vez estaria infringindo a lei por não garantir a contratação regular das peças de costura, podendo diminuir a quantidade de peças contratadas, de acordo com “seus interesses” (no caso, a promotoria se referia a oferta e demanda, aquela regra que quem determina é o consumidor, e não o empresário). A companhia respode que os vínculos com as oficinas de costura obedecem a normas do programa Pró-Sertão, criado pelo governo do Estado, em parceria com Sebrae, Senai e Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), justamente para fomentar a economia da região e servir de alternativa para as pessoas viverem com dignidade, sem precisar deixar o lugar onde nasceram.

Em resumo, sem ninguém reclamar (a ação não foi motivada por denúncia), o MPT multou o grupo por explorar seus trabalhadores. O que eles não esperavam era que os trabalhadores “explorados” se levantassem contra a ação e a favor do seu empregador. Os funcionários gravaram vídeos de apoio à empresa e até organizaram uma grande manifestação no da 21, quando cerca de 5 mil pessoas se reuniram em frente à sede do Ministério Público do Trabalho em Natal (RN) para pedir que o desastrado órgão os deixasse trabalhar em paz. A cereja do bolo é que os sindicatos (aqueles que devem lutar em favor dos trabalhadores) bloquearam a pista para impedir os manifestantes de chegar no protesto, mas acabaram vencidos pela inferioridade numérica.