Banner
Voltar para Ideas

#TERREMOTO NO MÉXICO

Lições de solidariedade em meio ao caos

Lições de solidariedade em meio ao caos

Um dos coordenadores do Livres São Paulo, Felipe Eduardo Luiz, estava na Cidade do México, no momento do terremoto de 19 de Setembro. E ficou positivamente surpreso com a capacidade da sociedade civil se movimentar para ajudar as vítimas e reorganizar o caos. Acompanhe abaixo seu relato:

“4 Lições que eu aprendi com o povo mexicano

As 01h14 da tarde, estava no Uber retornando da minha primeira reunião, quando comecei a sentir o carro vibrando de uma maneira estranha, o motorista me pediu para sair do veiculo imediatamente porque estava acontecendo um terremoto na Cidade. Por ironia do destino, estava nesse momento em uma das regiões mais afetada da Cidade do México, na zona rosa, uma região central com edifícios antigos, que vi desmoronando em cima das pessoas que estavam na calçada.
Uma série de eventos foram desencadeados em sequência, e eu gostaria de compartilhar 4 lições que aprendi com o povo mexicano:

Lição 1: Organização e solidariedade perante ao caos.
Foram 30 segundos apenas, comparados com os mais de 2 minutos do terremoto de 1985, mas tempo suficiente para colapsar a cidade. Era nitido o desespero das pessoas, principalmente entre os mais idosos que passaram pelo terremoto de 85.
Não havia policiais suficientes na rua, mas algo curioso aconteceu. Os civis começaram a se organizar para levar uns aos outros a pontos mais seguros da cidade. Rapidamente surgiu um batalhão de brigadistas voluntarios que imeditamente, sem contar com recurso nenhum do Estado, começaram a movimentar alimentos, água e medicamentos de primeiros socorros para ajudar as vitimas. Cada cidadão, cada estabelecimento, doou o que tinha naquele momento e foram ajudar aos demais. Muitos poderiam ter voltado para a casa mais cedo nesse dia, mas preferiram ficar para salvar o maior numero de vidas que pudessem.

Liçao 2: As empresas são formadas por seres humanos
Quando se passa por uma crise como essa, a primeira coisa que se vem na cabeça é que haverá aumento de preços instantâneo, já que os empresários sempre vão “tirar vantagens” dessa situação para lucrar. O que aconteceu na Cidade do México foi justamente o oposto.
As maiores companhia telefônicas do México; a Telmex, Telcel e Movistar ofereceram acesso as linhas e internet grátis para que as pessoas pudessem se comunicar e avisar os seus parentes. Os principais grupos hospitalares privados anunciaram no twitter minutos depois que estavam atendendo gratuitamente qualquer vitima que precisasse de primeiros socorros e auxílio. Os veterinários estavam de prontidao porque muitos animais de estimação acabaram sendo soterrados. Várias clinicas veterinárias privadas também abriram suas portas para que cada animal pudesse ser tratado e medicado.

Lição 3: Todos podem ajudar à sua maneira.
Meu hotel estava destruído, tinha uma rachadura que ia do 20º piso até o térreo. Eu não havia comido nada o dia inteiro, e estava no lobby, esperando a autorização da defesa civil para poder pegar minhas malas no 15º andar. De repente, funcionários do hotel começaram a servir comida para todas as pessoas que estavam ali, sem fazer nenhuma pergunta, se eram hospedes,número do quarto, sem checagem de informacao, absolutamente nada... Foi feita uma fila muito organizada onde todos tiveram a oportunidade de se alimentarem, sem custo algum, e ainda pediram desculpas depois por não terem podido servir comida quente.
No dia seguinte, passado o susto, fui comer em um restaurante em Polanco, uma das zonas mais caras do México. A cozinha do restaurante estava servindo apenas uma parte do cardápio, porque os demais funcionários estavam ocupados fazendo sanduíches para os brigadistas e vitimas do terremoto. O foco principal naquela quarta-feira era servir quem precisava de assistência, e não aos clientes convencionais, que estavam bem.
Por toda parte da cidade podia-se ver sinais como “café e comida grátis”, “wifi free”, sempre com a hashtag FuerzaMexico. Ninguem se aproveitou dessa situação para pegar algo a mais que nao precisasse, muitos ainda concentravam alimentos nesses locais para que outras pessoas pudessem comer.

Lição 4: A mais importante; empresas e civis tem interesses em comum.
Fui ao México para apresentar as soluções da empresa que eu trabalho, mas foi o México que me mostrou uma das lições mais bonitas que tive na vida: como ser solidario e humano. Ele me mostrou que realmente se pode ter fé na humanidade e que a maioria das sociedades organizadas são muito melhores e muito mais autruístas do que acreditamos. Me fez ver o copo meio cheio e reforçou a importancia de uma crença pessoal em que iniciativa priavada e a sociedade podem caminhar juntas, em harmonia, ajudando uns aos outros."

#FUERZAMEXICO