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#Burocracia abusiva

Vigilância destrói queijo de qualidade por falta de um carimbo

Vigilância destrói queijo de qualidade por falta de um carimbo

No mercado há 25 anos, eleita a melhor chef da América Latina no prêmio Latin's America 50 Best Restaurants, além de ter cuidado da alimentação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio da Alvorada, Roberta Sudbrack fechou ontem a operação de alimentação no Rock in Rio, após a Vigilância Sanitária jogar inacreditáveis 160 kg de seus queijos e linguiças no lixo.

Os alimentos não estavam estragados e nem fora da validade. Eles haviam sido previamente aprovados pelo controle do Rock in Rio, além de inspecionados pelos órgãos sanitários dos seus estados. O grande problema? Faltou um carimbo. O carimbo da vigilância sanitária do Rio de Janeiro. E isso foi motivo para os 15 fiscais, que estiveram no estande da chef, jogarem 160 quilos de comida no lixo. 

"Falta um carimbo, um selo, uma qualquer coisa. Estou fechando a minha operação no Rock in Rio porque minha ética, o meu profissionalismo e as minhas convicções não me permitem ver uma cena dessas. Comida da melhor qualidade sendo jogada fora, enquanto tantas pessoas morrem de fome no mundo", desabafou Roberta em seu Facebook. 

O tal carimbo, selo ou qualquer coisa, vale lembrar, não garante absolutamente nada em relação à qualidade dos alimentos. Ou alguém esqueceu que a carne estragada que era vendida pela JBS estava perfeitamente em dia com os órgãos de fiscalização do governo? 

Quando o estado adquire poderes regulatórios para determinar "quem é bom e quem é ruim", os adjetivos "bom" e "ruim" perdem qualquer relação com a qualidade do produto e se tornam totalmente relacionados à boa vontade do fiscal ou à capacidade do fiscalizado oferecer-lhe alguma vantagem. Como disse o jornalista libertário P.J. O'Rourke, "quando comprar e vender se torna objeto de regulação, os primeiros a serem comprados são os reguladores".

Uma saída para isso seria tirar esse poder do governo e permitir que certificadoras privadas concorressem entre si para fornecer selos de qualidade aos alimentos. Desta forma, elas teriam interesse em prestar o melhor serviço, pois se fossem flagradas liberando carne com papelão, por exemplo, perderiam a credibilidade com os consumidores. E então, as empresas não iriam mais atrás de seu selo, e elas iriam à falência. 

Não lhe parece muito melhor do que assistir 160 quilos de comida boa sendo jogada fora, enquanto carne estragada circula à vontade, com todos os selos estatais?