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#No caminho certo

Com ações em alta, Eletrobras segue rumo à desestatização

Com ações em alta, Eletrobras segue rumo à desestatização

O governo federal anunciou ontem a intenção de desestatizar a Eletrobras. O mercado respondeu à notícia com muita animação. As ações da companhia dispararam até 45% no pregão de hoje. Isso significa que muitos investidores decidiram apostar seu dinheiro na Eletrobras, agora que vislumbram que sua gestão deixará de ser feita por políticos.

Proposta por Getúlio Vargas e instituída no governo de João Goulart, em 1961, a Eletrobras é uma holding estatal do setor elétrico, rivalizando com a Petrobras em total de ativos e patrimônio líquido. Mas também não fica muito atrás em questão de prejuízos. O déficit de 2014 foi de R$ 6 bilhões, o que lhe conferiu o segundo lugar no ranking que a Petrobras é a primeira, com saldo negativo de R$ 22 bilhões. No ano seguinte, ambas ampliaram o prejuízo: R$ 35 bilhões da Petrobras x R$ 12 bilhões da Eletrobras.

A Eletrobras controla grande parte dos sistemas de geração e transmissão de energia elétrica do Brasil, por intermédio das subsidiárias Eletrobras CGTEE, Eletrobras Chesf, Eletrobras Eletronorte, Eletrobras Eletronuclear, Eletrobras Eletrosul, Eletrobras Furnas e Eletrobras Amazonas GT. Além de principal acionista dessas empresas, a Eletrobras, em nome do governo brasileiro, detém metade do capital da Itaipu Binacional.

Com números tão grandiosos, fica fácil perceber o seu potencial uso político e capacidade de atrair lobistas e corrupção de todo tipo. Entre 2014 e 2015, a empresa admite perdas de R$ 302,5 milhões com o esquema de pagamento de propinas a partidos políticos e funcionários da estatal sob investigação da Operação Lava Jato. Os valores referem-se ao superfaturamento de obras contratadas com o cartel de empreiteiras descoberto pela operação.

Na lista de projetos com perdas por corrupção, estão a usina nuclear de Angra 3 e as hidrelétricas de Simplício e Mauá 3, além de projetos em que a Eletrobras é sócia minoritária. Em 2015, Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletrobras Eletronuclear, foi preso, acusado pela Polícia Federal de ter recebido 4,5 milhões de reais em propina nas obras de Angra 3. Chegou a ser liberado, mas voltou para a prisão no ano seguinte, desta vez condenado a 43 anos, por corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço a investigações, evasão de divisas e organização criminosa.

A desestatização em questão não chega a ser necessariamente uma privatização completa. Além desta opção, há ainda a possibilidade de fazer uma concessão ou parceria público-privada. O governo brasileiro, inclusive, já demonstrou interesse em permanecer como acionista da empresa, apesar de ainda não ter apresentado o modelo exato a ser adotado. Além disso, a Eletronuclear e a Usina de Itaipu não entrarão no negócio.

A desestatização da Eletrobras, ao que tudo indica, será apenas um passo na direção correta. E é a esse estímulo que os investidores estão respondendo. É que o cálculo que o mercado faz para achar o valor de uma empresa com gestão privada é diferente do cálculo para estatais, pois são levados em consideração o fator eficiência aliado a menos intervenções políticas na companhia. As interferências políticas, vale destacar, foram justamente o que derrubou o desempenho da Eletrobras nos últimos anos, causando um prejuízo de R$ 30 bilhões e derrubando suas ações.