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#Aplicativos contra a censura

Como a tecnologia ajuda iranianos a escaparem da opressão do governo

Como a tecnologia ajuda iranianos a escaparem da opressão do governo

Em maio do ano passado, os iranianos reelegeram o presidente Hassan Rouhani esperando que ele fosse guiar o país à abertura cultural e sociopolítica. No entanto, mesmo sendo relativamente mais flexível que líderes anteriores, Rouhani ainda mantém banidos no Irã Facebook e Twitter, ferramentas básicas para a livre expressão contemporânea. Enquanto a liberdade não chega, a população encontra soluções contra a opressão do próprio governo.

Num país onde 60% dos 80 milhões de habitantes têm menos de 30 anos de idade, a saída natural encontrada foi online. O Telegram, o serviço de envio de mensagens protegidas e criptografadas, tornou-se uma das formas mais populares de expressão na internet, principalmente se o assunto for descontentamento com o Estado. Onde as redes sociais mais populares do mundo são banidas, mas há cerca de 20 milhões de usuários de smartphones, poder falar sua opinião sem risco faz toda a diferença.

Nessa jornada por liberdades civis, os iranianos estão se inspirando no Vale do Silício - pólo tecnológico dos EUA - e canalizando essas ideias em apps que ajudam a preencher as deficiências em serviços de saúde, educação e comunicação, principalmente na capital, Teerã. Desenvolvidos por iranianos vivendo tanto no país quanto fora dele, esses apps trazem esperança para casos em que protestos e ativismo não funcionaram.

Um app com impacto especial foi o Gershad, que ajuda usuários a se protegerem da Gasht-e Ershad, a "patrulha moral" do Irã. Essa força policial identifica e prende qualquer pessoa "vestida inapropriadamente" ou que esteja violando valores culturais do Islã. O app nasceu através de financiamento coletivo e consegue informações através dos usuários, num funcionamento similar ao aplicativo de tráfego Waze, indicando onde está a patrulha no momento.

Já o Vote17 (sim, o nome é esse mesmo <3) foi lançado logo antes das eleições de maio de 2016, inspirado, acredite, no Tinder. No mesmo modelo, o usuário vai concordando ou discordando de afirmações políticas como "Bloqueios à internet devem ser removidos" ou "Pessoas LGBT devem ter os mesmos direitos que todo mundo tem". No final, os matchs com os candidatos mais adequados apareciam.

O HamDam, baixado mais de 130 mil vezes, é o primeiro app de acompanhamento do ciclo menstrual que permite o uso do calendário persa, usado no país. Além de conter as informações usuais de ovulação e ciclo presentes em outros apps semelhantes, o HamDam oferece informações sobre direitos reprodutivos e legais para as mulheres iranianas. Algo especialmente importante, já que no país educação sexual é limitada. Até as licenças de casamento padrão incluem acordos pré-nupciais em que as mulheres estão sujeitas a perder toda propriedade individual em caso de divórcio.

Apesar da maior parte desses apps serem desenvolvidos por iranianos fora do país, é inspirador que eles estejam mudando a realidade e trazendo mais liberdade para o Irã de onde vieram, conectados pela tecnologia.