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#Caso Charlottesville

Livres para combater a intolerância

Livres para combater a intolerância

Desde o lamentável episódio em Charlottesville (EUA), no qual três pessoas morreram e 34 ficaram feridas durante uma marcha em defesa da supremacia branca, a direita e a esquerda tentam jogar o nazismo uma no colo da outra. Longe de nós querer nos meter nessa briga. Do nazismo, aliás, o liberalismo sempre esteve do lado extremo oposto.

Direitos individuais, igualdade perante a lei e amor à liberdade alheia são princípios dos quais podemos nos orgulhar profundamente e que jamais causaram nenhum tipo de genocídio. Pelo contrário: nós, liberais, somos os adversários históricos do nazismo, do fascismo, do socialismo e de qualquer outro sistema autoritário ou segregador. Foram os liberais que introduziram no mundo o conceito de isonomia entre homens e mulheres, negros e brancos, cristãos e judeus, gays e heterossexuais. Ao contrário dos coletivistas, que reduzem a complexidade da condição humana a uma única coletividade dentre as múltiplas que compõem a identidade de cada pessoa, liberais defendem a individualidade e o respeito às diferenças, valorizando o universo particular presente em cada vida humana.

Temos o orgulho de defender a bandeira da descentralização de poder, da tolerância entre os povos, da liberdade individual e da liberdade de expressão. Defesa esta que impõe o dever de expressar nossa indignação com a expressão da intolerância, como aconteceu na marcha de Charlottesville. Como bem concluiu o paradoxo da tolerância formulado pelo filósofo Karl Popper (que era judeu, vale pontuar), temos o direito de não tolerar o intolerante, pois “se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes".

Um excelente e legítimo instrumento de combate à intolerância são os boicotes. Nos Estados Unidos, usuários das redes sociais estão ajudando a identificar os participantes da marcha nazista de Charlottesvile e várias empresas estão demitindo funcionários que apareçam entre eles. Startups como Airbnb e PayPal também reagiram aos extremistas, barrando a hospedagem de usuários racistas e deletando contas de pagamento vinculadas às organizações de grupos extremistas. Em comunicado, o Airbnb explicou que decidiu barrar os participantes do evento porque “eles estariam buscando comportamentos na plataforma que seriam antiéticos” com a sua política de comunidade, que exige que seus membros “aceitem as pessoas independentemente de raça, deficiência, religião, nacionalidade, etnia, sexo, identidade de gênero, orientação sexual, ou idade”.

Além da ignorância, o crescimento de grupos intolerantes também está ligado à crise de representatividade. A falta de explicações coerentes e respostas políticas adequadas a respeito dos problemas enfrentados no cotidiano das pessoas acaba levando a um ambiente propício à disseminação de extremismos e populismos dos mais variados tipos. Por isso, para impedir a disseminação da irracionalidade e do fanatismo, é fundamental que tenhamos sucesso na construção de alternativas políticas consistentes em defesa dos valores fundamentais e do amor à liberdade alheia. Por todas essas razões, precisamos ser LIVRES para que possamos, juntos, combater a intolerância.