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#Intervencionismo

Governo brasileiro é sócio até da sua cerveja

Governo brasileiro é sócio até da sua cerveja

Os tentáculos do governo brasileiros são tão grandes e tão numerosos que pouca coisa escapa de sua interferência. Decerto você já acharia muito se a gente te contasse que, apesar de não ser capaz de administrar o básico, o Estado tem 152 empresas, além de participações em 124 companhias abertas e fechadas por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas tem mais. O Tesouro Nacional é sócio de quatro empresas privadas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), possuindo poder de veto para uma série de decisões e exercendo um controle indireto por meio dos fundos de pensão. Uma delas é a cervejaria Ambev.

O governo brasileiro possui 37,1 milhões de ações da Ambev, que correspondem a 0,62% dos papéis emitidos pela companhia e valem mais de R$ 600 milhões. A curiosa situação foi herança do governo Getúlio Vargas que, durante a Segunda Guerra Mundial, confiscou bens de pessoas físicas e empresas alemãs, italianas e japonesas, os chamados súditos do Eixo. A medida tinha por objetivo indenizar o Estado brasileiro, empresas e pessoas por possíveis danos causados por Alemanha, Itália e Japão durante o conflito. Nesse processo, parte dos bens de alemães sócios da Cervejaria Brahma, atualmente incorporada à Ambev, foram bloqueados, e o Tesouro Nacional mantém esse patrimônio até hoje.

E em tempos de crise econômica, as ações da Ambev sequer podem ser vendidas pelo governo, pois viraram alvo de ação judicial em 2015. É que o alemão August Lautz Jr, radicado nos Estados Unidos, ingressou com uma ação na Justiça estadual da Paraíba para tentar reaver os papéis que foram tirados à força de sua família. Ele chegou a ganhar a ação, mas a Advocacia Geral da União recorreu e conseguiu suspender a decisão, deixando a situação até hoje sem desfecho.