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#Ditadura

Maduro oficializa ditadura com base na força e na fraude

Maduro oficializa ditadura com base na força e na fraude

Numa eleição conturbada, de números controversos e notícias enviesadas, a Venezuela aprovou ontem a sua nova Assembleia Constituinte, que será composta por 545 deputados governistas, com poderes para fazer uma nova Constituição para o país e até para dissolver o Parlamento venezuelano (de maioria oposicionista). O plano de Maduro, como fica claro, é ampliar seus poderes e se perpetuar no cargo. O que já era tácito, foi oficializado: a Venezuela se tornou uma ditadura não só na prática, mas também no papel.

Nos momentos que antecederam o pleito, protestos foram proibidos pelo governo autoritário, e o fim de semana mais uma vez foi marcado pela violência, com 64 presos e 10 mortos (a oposição diz que foram mais de 15). Em quatro meses, já foram mais de 100 mortos em protestos. Os números oficiais sobre o resultado da eleição também são contestados: o governo diz que foram 8 milhões de eleitores, enquanto a oposição diz que foram 2,5 milhões, ou seja, 87,6% de abstenções. Fraudes ocorreram e, apesar de ter sido anunciado o encerramento da votação às 18h, há registros de que às 21h ainda havia pessoas votando.

Para forçar as pessoas a irem às urnas, o governo determinou que titulares do Carnê da Pátria (beneficiários de programas sociais do governo) deveriam apresentar o documento nos postos de votação para que sua participação fosse confirmada, além de ordenar que todos os funcionários públicos fossem votar. Ou seja, as pessoas foram votar em troca de comida ou para não perderem seus empregos. 

No plebiscito simbólico feito pela oposição algumas semanas antes, 7 milhões de pessoas votaram por livre e espontânea vontade, praticamente todas contra a elaboração de uma nova constituição para o país. Pela legislação atual, Maduro deveria ter convocado o plebiscito, mas não o fez, porque sabia que iria perder. Segundo pesquisas de opinião, a Assembleia Constituinte é rejeitada por 72% dos venezuelanos e a gestão de Maduro tem 80% de rejeição.

Diante desse cenário, diversos países se posicionaram contra a Constituinte. Entre eles, Brasil, Estados Unidos, Argentina, Canadá, Chile, México e Colômbia. A favor, até o momento, apenas El Salvador e Bolívia, além de alguns partidos políticos brasileiros que em outros momentos posavam de defensores da democracia, como PT, PC do B e PDT.